A felicidade possível no amor

Este artigo traz algumas reflexões acerca dos relacionamentos amorosos e dos aspectos fundamentais para quem deseja para si uma relação afetiva profundamente satisfatória e duradoura.

A cada dia recebo mais e mais e-mails pedindo por orientação psicológica para problemas e dificuldades nas relações amorosas, sejam estas de namoro ou de casamento. Foi devido a estes pedidos que resolvi escrever este texto.

Gostaria de começar pelo nosso modelo romântico de amor. Aprendemos que amar é encontrar alguém perfeito para nós; “nossa alma gêmea”. Esta pessoa é maravilhosa e corresponderia a tudo aquilo que sonhamos e realizaríamos com ela tudo o que desejamos, sendo finalmente felizes para sempre – como em filmes, novelas e nos contos de fada.

Com maior ou menos intensidade todos nós já escutamos ou assistimos a estas histórias e até idealizamos a sua realização em nossas vidas. Mas se você acha que viver um romance é isto, então seu relacionamento corre um sério perigo! Desencontros, brigas, frustrações e separações têm suas raízes na busca por relações impossíveis de serem concretizadas, já que são extremamente idealizadas e infantis (já que se responsabiliza o outro por fracassos e sucessos).

Estou tratando de uma questão delicada (o romance, a idealização), correndo o risco de ser chamada de fria ou nada romântica. Porém não é isso. Você pode ser carinhoso e expressar o seu amor, abrindo mão dessa fábula idealizada. Ou melhor vivendo um amor com profundidade. Para isto alguns aspectos devem ser considerados:

1) a perfeição pertence aos Deuses, ou seja, não existem seres humanos perfeitos.
Você não é perfeito, nem o outro é. E nem precisa ser. Nós temos o compromisso de sermos aquilo que somos e só. É muito mais interessante a diversidade, do que vários modelos humanos idênticos, sem personalidade, sem tempero. Conhecer a si mesmo e ao outro é gostoso porque é surpreendente e isto é uma grande aventura. Amar de verdade é gostar da gente e do outro do jeito que é.

2) cultivarmos o nosso auto-conhecimento.
Depois de assumirmos nossa humanidade é hora de olharmos com sinceridade para nós mesmos: quem sou? Do que gosto? Quais os meus sonhos? Quais as minhas dificuldades? Que contribuições levo para uma relação?

3) buscar no outro uma relação de parceria.
O outro é parceiro, companheiro de jornada nesta vida curta. Cada um ajuda o outro, mas a responsabilidade por realizar sonhos e desejos é de cada um. Ambos são adultos.

4) ser verdadeiro e responsável.
Uma relação só dura e tem sucesso se tem como base a confiança e o diálogo. São estas qualidades que aprofundam a troca de vivência e conhecimento entre os parceiros e ajudam na superação dos desafios e transformações que o casal tem que enfrentar.

5) a sexualidade é muito importante em uma relação. Ela se desenvolve juntamente com a relação afetiva. Há momentos melhores e piores. O aprendizado de ritmos, fantasias, formas de cada um e do casal são importante para a expansão dessa forma de expressão de criatividade, intimidade e alegria.

6) o amor não está pronto. Mesmo após anos de convívio o amor é vivo e para viver precisa de cuidados, como uma planta: deve ser cuidado e regado. Há momentos em que um pode contribuir mais que o outro, mas sempre deve-se estar atentos. A troca de carinhos é fundamental. Toda vida, toda relação necessita de cuidados de ambos os parceiros para viver.

Procure vivenciar estes pontos em sua relação. Nunca deixe de cuidar de si mesmo e se olhar. Lembre-se que a responsabilidade por sua felicidade e satisfação é sua. E se estiver rodeado por alguém especial a vida será melhor ainda!

Autor(a)

Salete Monteiro Amador

Psicóloga formada pela PUC/SP, Pós graduada em Saúde Coletiva pela FUNDAP. É Terapeuta e Supervisora de Terapia Comunitária. Editora do Site Ser Melhor e Assessora Técnica em Saúde Pública.

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