Adultos mais conscientes são melhores mães e pais

Você já pensou no quanto você influencia seus filhos? Nossas limitações são transmitidas a eles. Mas existem formas de melhorarmos a nossa interação com as crianças. Esta é a reflexão proposta neste artigo.

Outro dia numa praça de alimentação, me deparei com um fato que chamou minha atenção e causo-me profunda reflexão.

Havia uma jovem mãe, junto com sua filha de 1 ano e meio mais ou menos. A mãe falava insistentemente para a filha: "abre a boca filhinha para comer o seu papa". Mediante a repetição, resolvi olhar o que acontecia, e para meu espanto, vi a mãe oferecendo para a criança, como jantar, uma papinha pronta – destas que se encontram facilmente nos supermercados. A cena foi, no mínimo, interessante: conforme a mãe oferecia, a criança dava um passo para trás e balançava a cabeça em movimento negativo, ao mesmo tempo em que cerrava a boca, até que a criança deparou-­se com a parede atrás de si. A situação foi atraindo olhares, e a mãe abaixou a cabeça. Mas em seguida com um tom de voz mais animado, disse para a criança: "então vem comer sua frutinha!". Confesso que pensei: até que enfim a mãe vai dar algo bom para a criança comer. Porém, mal tive este pensamento, a mãe pegou de dentro da bolsa outra papinha, mas agora era sabor frutas. E a criança manteve­-se resistente e dentro de suas limitadas possibilidades de ação tentou não comer.

Os questionamentos começaram a brotar: será que esta é uma situação recorrente? Que mundo está sendo apresentado para esta criança? Por que ela não pode comer o que a mãe estava comendo (até porque a refeição que a mesma fazia parecia mais apetitosa)? O que precisa ser diferenciado? Qual a diferença entre levar uma fruta "fruta" e um pote de papinha, já que ambos estão prontos para o consumo? O quanto esta mãe está disposta / aberta para exercer a maternidade? Ou melhor, o quanto ela tem consciência do que está fazendo?

Acredito que falar de alimentação na primeira infância é sinônimo de cuidados primordiais, que refletirá na vida da criança por um longo tempo, isto se não for para a vida toda. Penso ainda, que até o segundo ano de vida, a criança realizará descobertas e terá aprendizados que superará o que ela aprenderá pelo resto de sua vida. Nesta fase, quem apresenta o mundo, suas possibilidades e diversidades para as crianças são os adultos que convivem com elas.

Esta situação me fez perceber como os adultos aprisionam as crianças dentro de suas próprias limitações. Limitações que não estão relacionadas com a informação nutricional, mas às limitações internas enquanto ser humano. Também penso, na possível desconexão consigo mesmo que irá se expressar na forma de se relacionar, sem se dar conta do quanto isto afetará o outro e a si mesmo, influenciando na qualidade das relações e também de vida. Porém acredito que tudo pode ser mudado e que sempre há tempo para despertar e fazer diferente.

Da mesma forma como existem pessoas que parecem agir de forma mais automática e cômoda, também existe aquelas que olham para si e enfrentam suas limitações, propondo-­se a ter ações conscientes oferecendo o seu melhor.

Algumas vezes é possível ultrapassar os próprios limites sozinhos, em outros casos, será preciso contar com a ajuda de um psicólogo. Olhar para si pode ser desafiador e às vezes até amedrontador, mas também é recompensador porque todos vivemos a dualidade do bem e do mal. Este processo também depende da escolha e da auto aceitação e do quão conectado se está com sua essência.

Você só dá aquilo que tem, é impossível dar ao outro o que não tem. E, você já parou pra pensar no que tem dado pros seus filhos e pras demais pessoas?

Autor(a)

Marcela de Freitas Merli

Psicóloga, pós graduada em Cinesiologia Psicológica, Integração Físio-Psíquica pelo Sedes Sapientiae e em Biopsicologia pelo Instituto Visão Futuro. Atualmente é psicoterapeuta e terapeuta corporal da Psicosomar.

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