Desafios do SUS: algumas reflexões

Em comemoração ao Dia da Saúde, este texto discute alguns desafios na efetivação do SUS – Sistema Único de Saúde – para um atendimento de qualidade para todos nós.

O SUS tem uma grande meta: saúde para todos. Porém, como toda grande construção social, existem inúmeras dificuldades na efetivação de seus princípios, bem como na concretização de seu objetivos.

Em relação a descentralização, por exemplo, uma das grandes dificuldades são as múltiplas realidades encontradas nos municípios brasileiros. Estas diferenças também exigem respostas e propostas de saúde diversas.

A aproximação entre os gestores do SUS e a população é peça fundamental na adequação entre políticas públicas e serviços de saúde com demandas e necessidades da população. A participação popular pode ajudar o gestor a conhecer melhor os problemas de sua cidade. As soluções a partir destes diálogos podem ser assim vislumbradas.

Infelizmente os diálogos e negociações são trabalhosos e demorados. A participação popular, de gestores e profissionais de saúde, que são importantes para tantas melhorias e enriquecimentos das estratégias de efetivação do SUS, podem também, em alguns momentos, dificultar seus avanços, já que além de nossa imaturidade política, temos a tendência a repetir as nossas velhas heranças centralizadoras e autoritárias que vivemos em nosso país num passado não tão remoto.

Acredito na importância da educação de todos, já que quando conhecemos a história de nosso país podemos optar em cometermos menos erros, aprendendo com eles e valorizamos a democracia e cidadania que conquistamos com a Constituição Brasileira de 1988 e com o SUS.

Um dos grandes desafios da saúde é superar ou conviver com o modelo privativo, hospitalocêntrico, voltado para o lucro com a saúde, que desmoraliza o SUS e seus avanços e reforça, com a ajuda da mídia, suas dificuldades e não os seus avanços na saúde coletiva.

Utilizar veículos de comunicação para educar e esclarecer sobre o SUS é de grande importância, já que todos ganham quando enfatizamos uma saúde pública e coletiva.

É imprescindível o comprometimento das lideranças do governo com a efetivação das leis já aprovadas em saúde. A valorização das conquistas para o bem coletivo e não o olhar parcial que beneficiam o bolso de alguns grupos que especificamente olham para a saúde como máquina de enriquecimento de alguns poucos indivíduos.

Conhecer a história da construção social e avanços coletivos trazidos pelo SUS e estarmos comprometidos com a ética e democracia é fundamental na busca pela efetivação de uma saúde pública de qualidade.

Não existem respostas prontas, assim como o SUS, as soluções também são e continuarão a ser construídas a partir deste imenso e heterogêneo diálogo social em busca da saúde para todos.

Referência(s)

  • BAPTISTA, Tatiana Wargas de Faria. Histórias das políticas de saúde no Brasil: a trajetória do direito à saúde. In: MATA, G. C. & PONTES, A. L. de M. (Org.). Políticas de Saúde: a organização e a operacionalização do Sistema Único de Saúde. Rio de Janeiro: Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, 2007. v. 3, p. 29 – 60.
  • BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Brasília: Senado Federal, 1988.
  • GONDIM, Roberta (Org.) Qualificação de gestores do SUS./Organizado por Roberta Gondim, Victor Grabois e Walter Mendes – 2 ed. rev. ampl. - Rio de Janeiro, RJ: EAD/ENSP, 2011.

Autor(a)

Salete Monteiro Amador

Psicóloga formada pela PUC/SP, Pós graduada em Saúde Coletiva pela FUNDAP. É Terapeuta e Supervisora de Terapia Comunitária. Editora do Site Ser Melhor e Assessora Técnica em Saúde Pública.

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