O delicioso e nem tão maldito chocolate

O chocolate é uma guloseima com público cativo, uma verdadeira legião de fãs que não abrem mão dele. Com a proximidade da páscoa o desejo é aumentado pela intensa movimentação do comércio, daí vem a culpa e os comentários negativos em relação ao chocolate, contudo ele pode ter um papel não tão cruel na dieta alimentar.

Tem cheiro de chocolate no ar. Está aberta a temporada de caça ao coelhinho da páscoa e seus encantos. Seu trabalho a cada ano é aprimorado, são os mais criativos lançamentos, melhora-se o aspecto decorativo dos ovos de chocolate, além dos atrativos brinquedos que mexem com a imaginação das crianças, loucas para descobrir o que o coelhinho escondeu dentro do ovo para elas.

Juntamente com os ovos tradicionais, vão-se os bombons e toda uma linha de doces, dificultando a escolha entre tantas guloseimas e também de fugir delas. É hora de driblar a crise e encontrar recursos para atender os doces anseios da Páscoa.

Pois é, mas nessa hora vem uma preocupação extra com os possíveis malefícios do chocolate, se bem que não precisamos da Páscoa para mantê-lo bem perto da gente, algumas pessoas inclusive, sentem uma necessidade estranha em relação a este alimento, uma verdadeira e comprovada dependência, em especial as mulheres, por vezes relacionado com as variações hormonais que fazem com que ela busque no chocolate o equilíbrio emocional.

Na verdade o chocolate, quando este é o amargo e em pequenas quantidades diárias, não pode, exatamente, ser considerado um vilão na alimentação humana, pelo contrário, diversos estudos comprovam sua eficácia na proteção do organismo em problemas arteriais, em virtude de o chocolate conter substancias como os polifenóis e os flavonóides, estes últimos responsáveis pela diminuição da pressão arterial, já que estes compostos elevam a produção de óxido nítrico, vasodilatador natural, tornando as artérias mais flexíveis, por conseguinte o sangue passa com maior facilidade.

Do mesmo modo, outras pesquisas concluíram o poder do chocolate amargo como potente ativador de endorfinas, substâncias produzidas pelo organismo em quantidades distintas para cada indivíduo, elas provocam o bem estar e facilitam o sono.

Ainda se fala que o chocolate amargo ajuda no aumento da imunidade do indivíduo, em decorrência de sua ação nos neurônios, protegendo-os de efeitos dos radicais livres, atuando no processo de maturação dos linfócitos T, guardiões contra vírus e bactérias.

Entretanto, nem tudo são bênçãos em se tratando do consumo de chocolate, afinal, os benefícios estão atrelados ao seu composto principal, o cacau, contudo, o chocolate não é só cacau, traz consigo ingredientes não tão benéficos, com é o caso do açúcar, cujo consumo desregrado pode ocasionar outros problemas de saúde, como a obesidade.

Além disso, o consumo de açúcar com excesso faz o organismo desperdiçar cálcio, magnésio e vitamina B no processo metabólico, desregulando-o. Pode vir a produzir sintomas clássicos de hipoglicemia que por sua vez geram ansiedade, depressão e desejo de mais açúcar, em sinais idênticos a um outro tipo de vício qualquer.

Em resumo, comer pequenas quantidades de chocolate amargo pode ser benéfico a saúde. O segredo está na dosagem e na escolha acertada do alimento, procurando marcas com menor teor de gordura e açúcar.

Em uma dieta equilibrada há espaço para tudo, até mesmo para o tão criticado chocolate, que cá para nós, é uma das grandes invenções do homem, basta usarmos em nosso favor, sem exageros.

Referência(s)

KRAUSE, M. V. ; MAHAN, L. K. Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 11. ed. São Paulo: Roca, 2005.

Autor(a)

Claudete Likes Penteado

Bacharel em Economia Doméstica pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE.

Contato

claudete@sudonet.com.br


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