Superar as dependências emocional, do álcool e das drogas é possível!

Conheça a história real de uma mulher que decidiu mudar sua vida aos 48 anos! Procurou
por psicoterapia e está vencendo as várias dependências que adoeceram toda a sua
família.

Olá leitores e leitoras do site! Costumo escrever vários textos, mas este é diferente
porque foi escrito em conjunto com C.: uma paciente que em janeiro de 2009 recebi em
meu consultório. A sua história tão semelhante a de tantas outras famílias que lutam
contra a dependência do álcool e drogas, teve um rumo que mostra a possibilidade de
encontrar uma saída e enfrentar estes problemas.

C. é uma mulher que aos 48 anos buscou por atendimento psicológico. Na primeira
sessão estava tão desnorteada que teve muita dificuldade em relatar o motivo que a
trazia ali. Tive a impressão de que ela e sua família eram como novelos de lãs todos
emaranhados e cheios de nós, no qual não se encontrava a ponta do início da linha,
também estavam tão misturados que ficavam indiferenciados. Ela compartilhou dessa
impressão comigo e pediu a minha ajuda para ir aos poucos encontrando os caminhos e
individualidades, desembaraçando os fios. Foi assim que tudo começou...

C. era casada há quase 30 anos com um homem que no decorrer da vida passou a
beber muito e com regularidade, deixando de se cuidar e não aceitando a ajuda de sua
esposa. Eles têm três filhos: uma moça casada, um rapaz mais velho e o caçula. Ambos
os filhos homens estavam envolvidos com álcool e drogas. O mais velho estava no
início da construção de sua vida familiar e o mais novo morava com os pais e, além da
dependência química, tem esquizofrenia.

Após anos como dona de casa, C. estava iniciando o trabalho formal em um posto de
saúde e, após uma insegurança inicial, estava muita satisfeita com o reconhecimento do
seu trabalho por parte dos colegas e da chefia.

No decorrer dos atendimentos ela foi contando a sua história de vida, vivida até aquele
momento, e se dando conta do quanto ela e os demais membros de sua família estavam
adoecidos, fato que se expressava através das diversas formas de dependência, a sua
era a emocional: achava que não seria capaz de ter uma vida independente. Percebeu
semelhanças entre a história que viveu ao lado do pai e que agora vivia do lado do
marido, ambos alcoolistas. Refletiu sobre as suas escolhas e comportamentos em torno
da família e o quanto estava entristecida e ficava apática, sentindo-se paralisada e sem
forças para mudar aquela situação, que lhe parecia impossível.

Foram as características resilientes de C., sua fé, o reconhecimento encontrado no
trabalho, aliados à psicoterapia, que tornaram possível para esta mulher compor um
novo olhar sobre si mesma. Sentindo-se mais segura de seus sentimentos, percepções,
opiniões e capacidades.

Atualmente, há um novo panorama em sua vida: após inúmeras tentativas de ajudar o
marido, mas sem sucesso, acabou por se separar dele; o filho mais novo trata-se da

esquizofrenia e da dependência química em um CAPS álcool e drogas e o filho mais
velho, com o apoio da família e da esposa está mais sensibilizado na busca por apoio.

Leia abaixo a entrevista que C. gentilmente cedeu para que suas experiências sirvam de
inspiração para outras pessoas que passam por situações semelhantes.

S: Conte um pouco sobre em que situação você e a sua família se encontravam quando
você buscou pela psicoterapia.

C: Eu estava muito confusa sem saber diferenciar meus deveres e direitos dentro da
minha família. Meus sentimentos dependiam diretamente de como cada um estava. Minha
situação era de fragilidade, não conseguia diferenciar o que era meu sentimento e o que
era de outros.

S: O que você foi percebendo no decorrer dos atendimentos de psicoterapia?

C: Pude me conhecer melhor e começar a diferenciar meus desejos e anseios dos
demais. Com isso fui me fortalecendo e assim podendo ajudá-los a ver a nossa
dependência emocional.

S: Que escolhas e decisões foram fundamentais para romper com a dependência
emocional familiar?

C: A minha fé em Deus, confiar, me entregar e dar oportunidade para que Ele trabalhe em
minha vida. Para isso precisamos perceber que temos uma grande responsabilidade de
nossa parte.

Gostaria de citar dois mandamentos: “Amar a Deus sobre todas as coisas”, que é
reconhecer nossa fragilidade quanto ao poder, força e domínio sobre os acontecimentos
que não estão em nosso poder. E o segundo mandamento é: “Amar o próximo como a ti
mesmo”. É preciso nos conhecermos intimamente e ter amor próprio para dar aos outros.

S: Quais são os seus desejos e planos para o futuro?

C: Voltar a estudar! Desejo fazer a faculdade de Serviço Social. Quero aprender e trocar
experiências com outras pessoas! Estou com mais coragem, vencendo os meus medos.
Hoje venci também o medo de água e estou fazendo aulas de hidroginástica!

Observações

C. tem 50 anos, é auxiliar administrativa e disponibiliza o seu E-mail para contato:
vencerdesafios.c@gmail.com

Salete Monteiro Amador, é psicóloga e atende na Vila Madalena, São Paulo/SP. E-mail:
salete_psi@yahoo.com.br

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