Diversidade sexual: amar um filho ou filha do jeito que é!

Você já pensou que seu filho ou filha pode ter uma identidade sexual e orientação sexual diferentes do que você imaginou? Conheça mais sobre este assunto e sobre as pessoas transgêneras

Quando engravidamos a pergunta que fazemos, e que também nos fazem, é se é um menino ou uma menina. Dependendo da resposta já temos uma série de expectativas sociais e de comportamentos associados ao sexo biológico da criança. Porém a realidade é mais complexa do que esta simples dicotomia menino x menina.

Atualmente, devido ao meu trabalho junto as políticas LGBTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), tenho convivido mais com as travestis, mulheres transexuais e homens transexuais. Esta convivência ajudou-me a observar inúmeras formas de vivências afetivas e expressões da sexualidade, tão numerosas quanto as cores do arco-íris que tão bem representam o movimento e que vão muito além do azul e rosa.

Conhecendo um pouco mais

Você sabe o que é identidade de gênero?

"(...) a identidade de gênero é a profundamente sentida experiência interna e individual do gênero de cada pessoa, que pode ou não corresponder ao sexo atribuído no nascimento, incluindo o senso pessoal do corpo (que pode envolver, por livre escolha, modificação da aparência ou função corporal por meios médicos, cirúrgicos ou outros) e outras expressões de gênero, inclusive vestimenta, modo de falar e maneirismos".

(Princípios de Yogyakarta, 2007,p.7)

Você sabe o que é orientação sexual?

"(...)Uma referência à capacidade de cada pessoa de ter uma profunda atração emocional, afetiva ou sexual por indivíduos de gênero diferente, do mesmo gênero ou de mais de um gênero, assim como ter relações íntimas e sexuais com essas pessoas."

(Princípios de Yogyakarta, 2007,p.7)

Entendo que a identidade sexual é subjetiva, ou seja, íntima da pessoa. Só ela tem acesso à mesma. Não acho que é uma escolha, assim como também a orientação sexual. Ambas apenas são e acontecem. Existem estudos científicos que buscam explicações, mas até o momento sem sucesso.

Para uma criança transexual, por exemplo, na tenra infância já sofre em sentir que algo está errado, mas nem sempre sabe exatamente o qual o motivo, o que a faz sentir-se mal e por ter ainda poucos recursos emocionais, em termos de amadurecimento, para lidar com isto, tem um sofrimento intenso, podendo inclusive ter uma depressão, por exemplo. Com o tempo vai elaborando suas percepções e percebe um desacordo psíquico com seu sexo biológico, sentindo pertencer ao sexo oposto ao do nascimento.

Na escola a criança transexual ou adolescente transexual podem sofrer bullying, o que só aumenta o seu sofrimento. As famílias e os pais, geralmente não sabem como lidar com um (a) filho (a) que se desenvolve diferente das expectativas menino heterossexual/menina heterossexual, ficando desorientados.

O vídeo "Meu eu secreto: crianças, gênero e sexualidade" trata de forma sensível e esclarecedora deste assunto. São entrevistados mães, pais, crianças transexuais e adolescente transexual. Ele revela a dimensão do sofrimento destas pessoas já na tenra idade, percebendo-se diferentes.

Uma das falas de uma mãe é confortadora: "Não é minha culpa ele ter nascido transgênero, muito menos culpa dele".

Infelizmente a realidade do documentário nem sempre é o que observamos em nosso cotidiano. As famílias também necessitam de apoio e informação acerca da melhor forma de ajudar os seus filhos e/ou filhas neste processo. Um profissional de psicologia pode ajudar neste momento e há locais como o AMTIGOS (Ambulatório Transdisciplinar de Identidade de Gênero e Orientação Sexual) realiza este trabalho em São Paulo/SP.

Como adultos, pais e mães o melhor que podemos desejar aos nossos filhos é sua felicidade e autonomia, ajudando-os a se desenvolverem, proporcionando reflexões acerca de si e do mundo em que vivem. Podemos e devemos sonhar sobre o futuro deles, porém sem que isto seja uma amarra que traga sofrimento e dificulte a expressão deles mesmos como são.

Dessa forma, facilitaria muito a vida de nossas crianças em termos emocionais, se nós esperássemos que elas fossem pessoas saudáveis, sendo aquilo que são e podem ser, num ambiente acolhedor e apoiador. Desejar ter uma criança inclui dar espaço para as inúmeras possibilidades e surpresas que a vida nos reserva, inclusive algo que jamais esperávamos ou conhecêssemos.

Encerro com a fala de uma mãe entrevistada no referido vídeo: "Olhe para o seu filho, ouça o coração dele e apoie, deixe o seu filho lhe conduzir. Porque seu filho é quem é e você deve ama-lo como ele é".



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