As árvores foram fundamentais na pesquisa - Vista do Parque do Ibirapuera, São Paulo
As árvores foram fundamentais na pesquisa - Vista do Parque do Ibirapuera, São Paulo

Árvores revelam que poluição por metais pesados diminuiu em São Paulo

Pesquisadores da USP e da Unicamp constatam, por meio de análises químicas da tipuana, diminuição nos níveis de poluição por metais pesados na zona oeste da cidade


As árvores possuem inúmeras funções em uma grande cidade cheia de concreto como São Paulo. Elas podem trazer sombra e frescor para os dias mais quentes do verão, podem amenizar os efeitos da poluição do ar e sonora, reter encostas ou barrancos evitando que desmoronem ou mesmo tornar a paisagem mais bela, menos agressiva.

Porém existe uma outra função pouco conhecida e que pesquisadores da USP e Unicamp exploraram para estudar as condições do ar em São Paulo e sua evolução. Certas espécies de árvores como a Tipuana são excelentes marcadores de poluição por metais pesados através dos anos.

Ao crescer as árvores formam anéis no interior de seu tronco. Cada anel é o equivalente a um ano e estes anéis guardam informações do ambiente quando ele foi formado, ou seja, se estudarmos os anéis mais profundos (mais no centro do tronco) obteremos informações de como era o ambiente a 5, 10, 30 anos quando aquele anel foi formado.

Tronco cortado mostrando seus anéis de crescimento. Ao lado uma broca de sondagem que retira de uma árvore viva um fragmento dos anéis para estudo
Tronco cortado mostrando seus anéis de crescimento. Ao lado uma broca de sondagem que retira de uma árvore viva um fragmento dos anéis para estudo. Créditos: Wikipedia

Esta técnica de análise dos anéis de cresciemtno das árvores, juntamente com análises de suas cascas, foi utilizada para estudar as condições do ar na zona Oeste de São Paulo utilizando-se a espécie Tipuana, largamente utilizada para o paisagismo há algumas décadas na cidade especiamente no Jardim Europa, Pacaembu e Alto de Pinheiros. Através do estudo destas árvores foi possível determinar a evolução da qualidade do ar com relação a alguns elementos pesados como cádmio, cobre, mercúrio, níquel, sódio, chumbo e zinco.

A boa nótícia é que a pesquisa revelou que a presença de cádmio, cobre, níquel e chumbo nas últimas três décadas diminuiu, tornando o ar menos contaminado nesta região da cidade.

As hipóteses para tal diminuição vão na direção das mudanças na composição dos combustíveis e na desindustrialização da cidade com o passar dos anos.

Em entrevista à Agência FAPESP, Marcos Buckeridge, professor do Instituto de Biociências da USP e um dos autores do estudo afirma que A diminuição dos níveis de chumbo pode ser atribuída à eliminação gradual desse elemento químico na composição da gasolina, enquanto a tendência decrescente da poluição por cádmio, cobre e níquel provavelmente está relacionada ao aumento da eficiência dos veículos e à desindustrialização de São Paulo.

A importância da pesquisa para a saúde pública e o planejamento urbano são enormes.

Mais informações na matéria de Elton Alisson | Agência FAPESP

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