Coca Cola é acusada de secar nascentes em Minas Gerais

Associação ambiental de Minas Gerais fez denúncia de que atuação da empresa afeta os mananciais da região metropolitana de Belo Horizonte


Em 2015 uma fábrica da Coca Cola foi inaugurada em Itabirito, na região metropolitana de Belo Horizonte (Minas Gerais), com a promessa de desenvolvimento da região através de empregos e renda.

Três anos depois os moradores que antes pegavam água em fontes nos mananciais relatam que ela começou a secar na região. Relatam também que lagoas e charcos em que antes havia até peixes secaram, completamente.

A Associação Mineira de Defesa do Ambiente (AMDA) denuncia a ação da Coca Cola na região que utiliza a água retirada de poços artesianos para a fabricação de seus produtos (além de refrigerantes a Coca Cola também produz sucos, engarrafa água mineral e outros ). Segundo a AMADA a retirada de água está não só afetando o abastecimentos da população como colocando em risco o ecossistema do monumento natural da Serra da Moeda.

Além da retirada da água o crescimento urbano desordenado ao redor da fábrica também preocupa os ambientalistas.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) salienta que a instalação da fábrica foi permitida mediante pesquisas feitas pela própria empresa durante dois anos com supervisão do Ministério Publico de Minas Gerais da Semad e da Universidade de São Paulo.

A polêmica da privatização da água

A constituição brasileira, mais especificamente o artigo 18, proíbe a alienação das águas, colocando como controlador dos recursos hídricos do país o próprio estado, não permitindo que seja entregue a empresas este controle. Porém existe uma proposta para alterar a Lei das Águas no Senado Federal de autoria do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) "Mercados de Água" . A proposta tem como objetivo introduzir os mercados de água como instrumento destinado a promover alocação mais eficiente dos recursos hídricos possibilitando na prática que a água seja um ativo comercial e não um bem da população podendo esta ser comercializada entre empresas.

A proposta do senador dá a dimensão da importância da água para as empresas e indica um sinal de alerta para a população.

O caso da Coca Cola em Itabirito foi classificado pelo Ministério Público como "Estudos Inconclusivos" e ainda está em aberto pois análises deverão ser entregues em agosto de 2018 e espera-se novos desdobramentos.

Fontes:

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