Estudo da USP aponta possível fraude no comércio de madeira nobre no Pará

Esquema que envolve donos de terras e engenheiros florestais na Amazônia legal superfatura quantidade de árvores para aumentar o limite de corte


A Esalq-USP publicou no ultimo dia 15 de Agosto de 2018 um estudo sobre o corte de madeira de lei na Amazônia e como os donos de terras na região podem estar bulando a legislação. Segunda a pesquisa fazendeiros e engenheiros florestais locais estariam cadastrando muito mais árvores com madeira de lei ( espécies nobres como jatobás e ipês ) do que realmente existem na floresta. Cadastrar mais árvores do que realmente existem implica que os limites permitidos para o corte seriam inflacionadas. O limite de corte permitido por lei exige que cada propriedade retenha ao menos 10% do total de árvores com potencial de corte.

Os pesquisadores analisaram mais de 400 inventários de fazendas no Pará e os comparou aos levantamentos de 11 espécies de árvores a partir de dados do Projeto Radar da Amazônia ( Radam ), criado na década de 1970 para mapear recursos minerais, vegetais, ocupação e uso do solo amazônico.

A madeira de lei extraída segundo as normas ganha um selo de legalidade e permite sua distribuição nos grandes centros consumidores de madeira do Brasil e do exterior com mais vantagens competitivas do que a madeira extraída de forma ilegal. O esquema investigado na pesquisa cria uma espécie de "lavagem de madeira" onde o corte ilegal é considerado legal.

O grande problema é que são os próprios donos de terras quem declaram as quantidades de madeira em suas propriedades, sem auditoria, o que dá margem para este tipo de fraude. A equipe da Esalq, que realiza a pesquisa, recomenda um novo sistema eletrônico para registrar e administrar as autorizações de exploração, disponibilizando as informações em um portal que permita o confronto de dados e solicite uma verificação de campo em caso de suspeita.

Referência: Pesquisa Fapesp - Amazônia ilegal

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