Mata Atlântica ameaçada pelas mudanças climáticas: 10% das espécies de anfíbios poderão desaparecer

Climas estimados entre 2050 e 2070 serão potencialmente fatais para espécies com menor adaptação à variação climática, indica estudo feito na Unesp


Atualmente são conhecidas 550 espécies de anfíbios na Mata Atlântica e 209 espécies no Cerrado e cerca de 10% destes animais poderão desaparecer do planeta em 50 anos devido as mudanças climáticas globais que alteram as condições ambientais em que estes animais vivem.

O herpetólogo Tiago da Silveira Vasconcelos, da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), junto com colaboradores realizou pesquisa que analisa a distribuição atual e futura de anfíbios ( sapos, rãs e pererecas ) na Mata Atlântica e no Cerrado e o impacto das mudanças climáticas sobre eles.

Segundo Vasconcelos um dos objetivos da pesquisa, além da medição dos impactos futuros pelo clima, foi o mapeamento das espécies.O objetivo maior da pesquisa foi fazer um levantamento de todas as espécies de anfíbios do Cerrado e da Mata Atlântica e caracterizar suas preferências climáticas nas diferentes áreas que habitam. Com os dados em mãos, buscamos fazer modelagens para poder projetar cenários de aumento ou de redução das áreas climáticas favoráveis às diferentes espécies, em função dos regimes climáticos estimados para 2050 e 2070.

A pesquisa utilizou modelos matemáticos de previsão climática com dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas ( IPCC ) envolvendo cenários de emissão de gás carbônico e modelos de circulação global atmosférica e oceânica e mostrou que poderão ser extintas 37 espécies de anfíbios na Mata Atlântica ( 10,6% do total ) e cinco no Cerrado. Destas espécies hoje apenas cinco são consideradas como em risco de extinção pelo Ministério do Meio Ambiente.

O estudo foi publicado na revista Ecology and Evolution e colaboraram Bruno Tayar Marinho do Nascimento, da Unesp, e Vitor Hugo Mendonça do Prado, da Universidade Estadual de Goiás com o apoio da FAPESP.

Mais informações na matéria de Peter Moon | Agência FAPESP

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