Trator pulverizando plantação com agrotóxicos - Fonte: Pesquisa Fapesp
Trator pulverizando plantação com agrotóxicos - Fonte: Pesquisa Fapesp

Novos agrotóxicos liberados ameaçam abelhas que ajudam na produção de alimentos

Pesquisadores alertam que a liberação de agrotóxicos altamente poluentes a partir de 2019 pode causar morte em massa de abelhas e comprometer a produção de alimentos.


Em torno de 33% das plantações economicamente importantes no Brasil (soja, café, laranja, frutas em geral) dependem da polinização para se reproduzirem, polinização esta feita por insetos, principalmente abelhas.

Não podemos falar em "pagamento" por esse serviço mas se fosse possível os polinizadores (insetos) receberiam em torno de 43 bilhões de reais por ano!

Porém o uso excessivo de inseticidas, a diminuição de florestas e as mudanças climáticas estão causando uma grande redução das populações de abelhas no mundo. No Brasil, as chamadas abelhas Africanas, aquelas que encontramos mais comumente e que podem atacar inclusive humanos, vem apresentando alta mortalidade nos últimos meses. Essa espécie, a mais criada no mundo, é adotada internacionalmente para testar os efeitos de inseticidas.

Os pesquisadores orientam que avaliações de agrotóxicos devem incluir abelhas nativas, ( as chamadas abelhas sem ferrão ), que estão dentre as cerca de 350 espécies encontradas no Brasil.

Experimentos de pesquisadores da Unesp revelaram que metade da população de larvas de Uruçus-nordestinas morre ao consumir uma dosagem de inseticida 320 vezes menor do que a necessária para matar a mesma proporção de larvas de Apis. Outras espécies de abelha sem ferrão morrem com concentrações ainda menores. Defensivos agrícolas também prejudicam o comportamento de outra espécie de abelha nativa, a Jataí. Seu vôo fica mais lento e curto o que dificulta a polinização e reprodução.

O Governo, desde o começo de 2019, liberou inúmeros agrotóxicos extremamente fortes e inclusive proibidos em outros países e Europa. Neste contexto pavoroso pesquisadores argumentam que investimentos em defensivos químicos menos tóxicos são urgentes pois os polinizadores são essenciais para manter a produtividade da agricultura.

No Rio Grande do Sul, no início do ano, foram identificadas em torno de 400 milhões de abelhas mortas, em Santa Catarina 50 milhões, Mato Grosso do Sul 45 milhões e em São Paulo 5 milhões. Estes números são alarmantes!

As abelhas são fundamentais para a nossa alimentação e qualidade de vida, assim como para a manutenção da biodiversidade do planeta. A morte delas significará o declínio de nossa própria civilização

Fonte: Pesquisa Fapesp

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Fonte: Gianni Cipriano - The New York Times

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