Denis A. C. Conrado
Denis A. C. Conrado

O bioma do Cerrado tem germinação de suas plantas completamente diferente das demais savanas

Pesquisadores descobrem padrão de germinação exclusivo em plantas do Cerrado. Descoberta pode auxiliar iniciativas de conservação do bioma brasileiro, que mantém apenas um quinto da vegetação original


Depois da Floresta Amazônica o Cerrado é o ambiente de savana com maior biodiversidade no mundo e que corre perigo de desaparecer devido a acelerada expansão da pecuária e da fronteira agrícola sem controle. Um estudo feito pela Unesp revela as diferentes estratégias dos diversos grupos de plantas do Cerrado para frutificar e dispersar ao longo do ano.

O Cerrado é composto por gramíneas, arbustos e árvores esparsas mas na época das chuvas tudo muda e o Cerrado floresce. O estudo da Unesp mostra quais mecanismos atuam no bioma e que são completamente diferentes de semelhantes biomas em outras partes do mundo como as savanas africanas.

Foram coletados frutos de pelo menos 10 indivíduos de cada espécie. O objetivo foi determinar a proporção de espécies com dormência e os fatores climáticos e da história natural associados.

Segundo o biólogo Diego Fernando Escobar A relação entre a fenologia de frutificação e a dormência nos trópicos foi testada no nível comunitário para os ecossistemas florestais, mas os estudos nas savanas são escassos, restritos a certos clados, dificultando a compreensão dos padrões gerais de regeneração para esse hotspot de biodiversidade.Buscamos verificar se o padrão de frutificação, dispersão e germinação de sementes no Cerrado correspondia ao que ocorre em outros ecossistemas tropicais sazonais.

Ainda segundo Escobar Os experimentos de germinação indicaram que o momento da germinação das sementes na comunidade do Cerrado é controlado tanto pela estação de dispersão (início da estação chuvosa) quanto pela dormência, diferindo de outros estudos em ecossistemas sazonais, incluindo savanas, que reconhecem a dormência como principal mecanismo de controle da germinação.

Além de mostrar padrões de fenologia de frutificação e germinação em nível de comunidade no Cerrado, os resultados do estudo esclarecem como as classes de dormência são moduladas pela interação entre estação e síndrome de dispersão, permitindo uma melhor compreensão da evolução das sementes.

Mais informações na matéria de Peter Moon | Agência FAPESP

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