Painel fotovoltaico e gerador eólico
Painel fotovoltaico e gerador eólico

Produzindo e vendendo energia elétrica em casa. Uma realidade que está muito próxima do consumidor brasileiro.

Pesquisadores e estudantes debatem novas possibilidades técnicas e de mercado na Escola São Paulo de Ciência Avançada em Energias Renováveis, realizada na Poli-USP


Hoje o paradigma de geração e consumo de energia elétrica se dá, no geral, de forma centralizada em hidroelétricas, termoelétricas a gás, óleo ou nuclear, eólicas e etc. Essa energia é gerada em grandes complexos e distribuída para os consumidores, sejam eles residências, comércios ou indústrias.

Porém este paradigma está sendo quebrado com as novas tecnologias de geração e distribuição de energia gerada em pequena escala e em inúmeros pontos distribuídos. Em breve o consumidor poderá também vender a energia que gera em sua propriedade para a empresa concessionária de energia a fim de distribuí-la para os demais consumidores. É um conceito diferente de micro geração e distribuição. Segundo o professor da Escola Politécnica da USP, José Aquiles Baesso Grimoni, para este novo cenário a melhor designação passa de consumidor para prossumidor, uma combinação de produtor com consumidor.

As vantagens deste sistema são enormes e vão desde a descentralização da produção de energia, economia na distribuição ( dispensa grandes linhas de transmissão das usinas para as localidades consumidoras ) até vantagens diretas para o consumidor que passa a, inclusive, receber ao invés de pagar pela energia.

Atualmente os grandes desafios não são da tecnologia em si mas sim de adaptação técnica das empresas de energia para receber este excedente produzido pelos consumidores, o valor dos impostos que ainda incidem de maneira agressiva sobre a venda da energia e questões burocráticas. Hoje um pequeno produtor de energia ( ou por painéis solares fotovoltaicos ou pequenos aerogeradores ) não pode vender a energia que produz a mais, o máximo que pode fazer é abater este excedente de sua conta de energia elétrica convencional.

No Brasil as energias renováveis (eólica, biomassa e solar) já ultrapassaram a energia gerada através de combustíveis fósseis e possui grande potencial de expansão. De acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica ( Aneel ), 66,7% da potência elétrica brasileira é de hidrelétrica, seguida por energia fóssil (15,9%), eólica (7,8%), biomassa (8,7%), fontes diversas importadas (4,8%), nuclear (1,8%) e solar (0,7%). A tendência é de que no futuro a matriz energética seja composta de vários tipos de geração de energia reunidos em uma grande rede de integração, a chamada matriz híbrida.

Além das energias renováveis convencionais outra fonte que começa a se destacar é o hidrogênio, que também pode ser utilizado em automóveis através de baterias especiais. A maneira convencional de produzir hidrogênico é através de um processo chamado eletrólise porém pesquisas estão sendo feitas no sentido de uma nova tecnologia que utiliza o etanol para a produção de hidrogênio, algo inédito no mercado.

Para pensar sobre este novo mundo energético e atrair talentos para os cursos de pós-graduação e centros de pesquisa surge a Escola São Paulo de Ciência Avançada em Energias Renováveis, ligada a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e apoiada pela FAPESP que aconteceu de 23 de Julho a 03 de Agosto de 2018 e trouxe alguns dos mais renomados pesquisadores nas áreas de energia renovável ( eólica, solar fotovoltaica e solar térmica, energias renováveis marinhas, biomassa e hidrogênio ).

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