Técnica para extração do gás de xisto utilizando gás carbônico no Sul e Sudeste é desenvolvida no Brasil

Pesquisadores do RCGI investigam viabilidade de injetar CO2 em reservatórios de gás na Bacia Sedimentar do Paraná e no offshore da Bacia de Santos para extrair gás de xisto, combustível utilizado em várias áreas. Técnica atualmente utilizada para extração é motivo de críticas de ambientalistas.


Uma nova tecnologia está em estudo pelo Centro de Pesquisa de Inovação em Gás (RCGI) da Escola Politécnica (Poli) da USP, financiado pela FAPESP e Shell.

O centro desenvolverá estudos para a possibilidade de estocar gás carbônico em rochas chamadas folhelhos, que são encontradas na Bacia Sedimentar do Paraná, que ocorrem desde o Mato Grosso até o Uruguai, e em outras rochas na Bacia de Santos para extrair gás de xisto. Será produzido um atlas com informações geológicas das áreas em estudo para um melhor aproveitamento da técnica e o armazenamento do carbono utilizado para a extração.

A ideia é injetar o CO2 ao mesmo tempo em que se retira o gás de xisto (tecnicamente chamado de gás de folhelho) contido nele. Esta técnica é utilizada em outros países usando água e produtos químicos injetados em alta pressão.

Segundo Colombo Celso Gaeta Tassinari, coordenador do projeto e diretor do Instituto de Energia e Ambiente da USP Iremos trabalhar dentro dos parâmetros usados em nível mundial para qualificar uma rocha como própria ou não para estocagem de CO2. E este será mais um desafio, pois esses parâmetros variam de um lugar para outro.

O estudo tem previsão para publicação em 2020.

A polêmica do Gás de Xisto e os riscos ao meio ambiente

O gás de xisto é amplamente explorado nos Estados Unidos e já representa em torno de um quarto da energia utilizada no país porém as questões ambientais envolvidas no processo de extração preocupam ambientalistas.

A extração do gás utiliza uma técnica chamada fraturamento hidráulico (fracking em inglês). Nesta técnica são injetados água ou produtos químicos em alta pressão no subsolo, perto de uma reserva de gás. A pressão com que estes elementos são injetados faz com que as rochas sejam quebradas e assim o gás que existe dentro delas é liberado e extraído.

O problema, segundo os ambientalistas, é que esta operação de extração será feita exatamente na área do Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios de água doce do planeta que se encontra nas regiões Sul e Sudeste do Brasil e que abastece milhões de pessoas.

Na Alemanha e na França esta técnica de Fraturamento de rochas por alta pressão foi proibida devido aos riscos ambientais. Na Alemanha o parlamento baniu a técnica em 2016.

Referência:

Agência FAPESP - Atlas mostra captura e armazenamento de carbono no Sul e Sudeste

TV Câmara - Especialistas afirmam que exploração de gás de xisto traz riscos para o meio ambiente e a saúde humana

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