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Obsolescência Programada - Documentário sobre como as coisas são feitas para não durarem

Você sabe por que quando a sua tinta acaba tem de trocar todos os cartuchos ou por que repentinamente a sua impressora para de funcionar? E por que você deve trocar sua coleção de verão ou inverno todos os anos ou o celular a cada novo lançamento? Obsolescência programada Baby!

Mas afinal o que é obsolescência programada? Sabe quando a impressora repentinamente para de funcionar sem que saibamos o porquê, levamos na assistência e eles nos dizem: "é melhor comprar uma nova, consertar não compensa" ou mesmo quando a tinta magenta acaba, mas somos obrigados a trocar todos os outros cartuchos? Ou então aquela sua coleção de inverno ou verão do ano passado, que já não vale para este ano, apesar das roupas estarem impecavelmente novas. Trocar de celular nem se fala então!

O nome soa estranho mesmo, mas obsolescência vem de obsoleto, ultrapassado, que tem a ver com as situações acima. As coisas são programadas para durarem pouco, seja pela baixa qualidade, pela moda ou por mecanismos propositalmente preparados. Isto faz com que o ciclo de vida dos produtos passe de anos para meses, alimentando uma indústria da substituição ao invés da manutenção. É disto que trata o documentário "Comprar, tirar, comprar", dirigido por Cosima Dannoritzer e co-produzido pela Televisión Español, resultado de três anos de investigação.

As primeiras idéias da obsolescência programada vem dos anos 20 do século passado e estão ligadas à depressão econômica. Na busca de novas maneira de aquecer o mercado a obsolescência foi uma das alternativas. Nos Estados Unidos, por exemplo, chegou-se a cogitar uma data de validade compulsória para os produtos. A idéia era que os consumidores deveriam entregar ao governo os aparelhos após uma certa data, mesmo estes estando em perfeito funcionamento. A idéia parece louca demais, não é? Talvez fosse tão louca que não chegou a ser implementada, porém a indústria buscou outros modos de fazer a mesma coisa.

O discurso vigente era (e de certa forma ainda é) a manutenção dos empregos e o aquecimento da economia o que, segundo o documentário, é apenas uma fachada para justificar os imensos lucros das empresas.

Em 1928 uma influente revista da época do ramo da publicidade já dizia:

"Um produto que não se desgasta é uma tragédia para os negócios"

Problemas ambientais raramente são levados em conta ou o esgotamento dos recursos naturais (no ano de 2013 atingimos o limite de exploração anual do planeta em julho), sem contar na, talvez, mais nefasta consequência deste tipo de procedimento: a exportação de lixo para os países subdesenvolvidos especialmente na África como Gana, algo que o documentário denuncia de forma contundente. Este tipo de lixo, principalmente o tecnológico e hospitalar, trazem graves consequências para a saúde das populações locais.

Até mesmo o Brasil foi alvo deste tipo de importação danosa no caso do lixo hospitalar usado como material para fabricação de calças ou mais recentemente o lixo tóxico apreendido em Santa Catarina.

O documentário também traz curiosidades como a lâmpada que foi descoberta em um corpo de bombeiros em Livermore, Estados Unidos, funcionando sem interrupção desde 1901(câmera que monitora a lâmpada 24 horas por dia).

Mas a boa notícia é que aos poucos as pessoas tomam consciência do que ocorre e começam a mudar seu modo de pensar e agir. Dois exemplos interessantes: um jovem russo criou uma empresa de consertos de celulares e ficou rico e uma idéia revolucionária de celular em módulos, que nunca é descartado, cada peça pode ser facilmente substituida ou atualizada.

Assista ao documentário e dê sua opinião!

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